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VERSOS A UM COVEIRO


Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos,
-- Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmética hedionda dos coveiros!

Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
Da Morte! Eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!

Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
Dos tábidos carneiros sepulcrais

Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!


Autor: Augusto dos Anjos

Adicionado em 03/10/2009  |  Cliques: 292




 


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