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Amo Poesias › Testamento (Manuel Bandeira)


  

Testamento


O que não tenho e desejo
í‰ que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros - perdi-os...

Tive amores - esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.

Um filho!... Não foi de jeito...

Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!


Autor: Manuel Bandeira

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 68




 


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