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Amo Poesias › SUPREMO ENLEIO (Florbela Espanca)


  

SUPREMO ENLEIO


Quanta mulher no teu passado, quanta!

Tanta sombra em redor! Mas que me importa?

Se delas veio o sonho que conforta,

A sua vinda foi três vezes santa!



Erva do chão que a mão de Deus levanta,

Folhas murchas de rojo í  tua porta...

Quando eu for uma pobre coisa morta,

Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!



Mas eu sou a manhã: apago estrelas!

Hás de ver-me, beijar-me em todas elas,

Mesmo na boca da que for mais linda!



E quando a derradeira, enfim, vier,

Nesse corpo vibrante de mulher

Será o meu que hás de encontrar ainda...


Autor: Florbela Espanca

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 9




 


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