O que você procura?
 


  

soneto da mulher inutil


De tanta graça e de leveza tanta
Que quando sobre mim, como a teu jeito
Eu tão de leve sinto-te no peito
Que o meu próprio suspiro te levanta.

Tu, contra quem me esbato liquefeito
Rocha branca! brancura que me espanta
Brancos seios azuis, ní­vea garganta
Branco pássaro fiel com que me deito.

Mulher inútil, quando nas noturnas
Celebraçíµes, náufrago em teus delí­rios
Tenho-te toda, branca, envolta em brumas.

São teus seios tão tristes como urnas
São teus braços tão finos como lí­rios
í‰ teu corpo tão leve como plumas.


Autor: Vinicius de Moraes

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 12




 


Home | Política de Privacidade | Termos de Uso |    Copyright ©2019 Amo Poesias www.amopoesias.com