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Soneto da intimidade


Nas tardes de fazenda há muito azul demais.

Eu saio as vezes, sigo pelo pasto, agora

Mastigando um capim, o peito nu de fora

No pijama irreal de há três anos atrás.



Desço o rio no vau dos pequenos canais

Para ir beber na fonte a água fria e sonora

E se encontro no mato o rubro de uma amora

Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.



Fico ali respirando o cheiro bom do estrume

Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme

E quando por acaso uma mijada ferve



Seguida de um olhar não sem malí­cia e verve

Nós todos, animais, sem comoção nenhuma

Mijamos em comum numa festa de espuma.


Autor: Vinícius de Moraes

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 17




 


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