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Amo Poesias › Rimance (Cecília Meireles)


  

Rimance


Onde é que dói na minha vida,
para que eu me sinta tão mal?
Quem foi que me deixou ferida
de ferimento mortal?

Eu parei diante da paisagem:
e levava uma flor na mão.
Eu parei diante da paisagem
procurando um nome de imagem
para dar í  minha canção.

Nunca existiu sonho tão puro
como o da minha timidez.
Nunca existiu sonho tão puro,
nem também destino tão duro
como o que para mim se fez.

Estou caí­da num vale aberto,
Entre serras que não tem fim.
Estou caí­da num vale aberto,
nem terá notí­cias de mim.

Eu sinto que não tarda a morte,
e só há por mim está flor;
eu sinto que não tarda a morte
e não sei como é que suporte
tanta solidão sem pavor.

E sofro mais ouvindo um rio
que ao longe canta pelo chão,
que deve ser lí­mpido e frio,
mas sem dó nem recordação,
como a voz cujo murmúrio
morrerá com o meu coração...


Autor: Cecília Meireles

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 21




 


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