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Amo Poesias › Quadras (Cecília Meireles)


  

Quadras


Na canção que vai ficando
já não vai ficando nada:
é menos do que o perfume
de uma rosa desfolhada.

Os remos batem nas águas:
tem de ferir, para andar.
As águas vão consentindo
esse é o destino do mar.

Passarinho ambicioso
fez nas nuvens o seu ninho.
quando as nuvens forem chuva,
pobre de ti, passarinho.

O vento do mês de agosto
leva as folhas pelo chão;
só não toca no teu rosto
que está no meu coração.

Os ramos passam de leve
na face da noite azul.
í‰ assim que os ninhos aprendem
que a vida tem norte e sul.

A cantiga que eu cantava,
por ser cantada morreu.
Nunca hei de dizer o nome
Daquilo que há de ser meu.

Ao lado da minha casa
morre o sol e nasce o vento.
O vento me traz o seu nome,
leva o sol meu pensamento.


Autor: Cecília Meireles

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 24




 


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