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Amo Poesias › Por tanto tempo (Olavo Bilac)


  

Por tanto tempo


Por tanto tempo, desvairado e aflito,

Fitei naquela noite o firmamento,

Que inda hoje mesmo, quando acaso o fito,

Tudo aquilo me vem ao pensamento.



Sal, no peito o derradeiro grito

Calcando a custo, sem chorar, violento...

E o céu fulgia plácido e infinito,

E havia um choro no rumor do vento...



Piedoso céu, que a minha dor sentiste!

A áurea esfera da lua o ocaso entrava.

Rompendo as leves nuvens transparentes;



E sobre mim, silenciosa e triste,

A via-láctea se desenrolava

Como um jorro de lágrimas ardentes.


Autor: Olavo Bilac

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 13




 


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