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Amo Poesias › Plena mulher (Pablo Neruda)


  

Plena mulher


Plena mulher, maçã carnal,
lua quente, espesso aroma de algas,
lodo e luz pisados, que obscura claridade
se abre entre tuas colunas?


que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:


amar é um combate de relí¢mpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,


e o fogo genital transformado em delí­cia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.


Autor: Pablo Neruda

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 17




 


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