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Amo Poesias › Inania verba (Olavo Bilac)


  

Inania verba


Ah! quem há de exprimir, alma impotente e

escrava,

O que a boca não diz, o que a mão não escreve?

— Ardes, sangras, pregada í  tua cruz, e, em

breve,

Olhas, desfeito em lodo, o que te

deslumbrava...

O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava;

A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de

neve...

E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,

Que, perfume e clarão, refulgia e voava.



Quem o molde achará para a expressão de tudo?

Ai! quem há de dizer as í¢nsias infinitas

Do sonho? e o céu que foge í  mão que se

levanta?



E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero

mudo?

E as palavras de fé que nunca foram ditas?

E as confissíµes de amor que morrem na

garganta?


Autor: Olavo Bilac

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 12




 


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