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Amo Poesias › FILTRO (Florbela Espanca)


  

FILTRO


Meu Amor, não é nada: - Sons marinhos

Numa concha vazia, choro errante...

Ah, olhos que não choram! Pobrezinhos...

Não há luz neste mundo que os levante!



Eu andarei por ti os maus caminhos

E as minhas mãos, abertas a diamante,

Hão de crucificar-se nos espinhos

Quando o meu peito for o teu mirante!



Para que corpos vis te não desejem,

Hei de dar-te o meu corpo, e a boca minha

Pra que bocas impuras te não beijem!



Como quem roça um lago que sonhou,

Minhas cansadas asas de andorinha

Hão-de prender-te todo num só ví´o...


Autor: Florbela Espanca

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 12




 


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