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Enquanto quis Fortuna que tivesse


Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse
Minha escritura a algum juí­zo isento,
Escureceu-me o engenho co tormento,
Pera que seus enganos não dissesse.

í“ vos que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,

Verdades puras são e não defeitos;
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.


Autor: Luís Vaz de Camões

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 64




 


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