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Amo Poesias › Depois da Feira (Fernando Pessoa)


  

Depois da Feira


VíƒO VAGOS pela estrada,

Cantando sem razão

A útima esp'rança dada

í€ última ilusão.

Não significam nada.

Mimos e bobos são.



Vão juntos e diversos

Sob um luar de ver,

Em que sonhos imersos

Nem saberão dizer,

E cantam aqueles versos

Que lembram sem querer.



Pajens de um morto mito,

Tão lí­ricos!, tão sós!,

Não têm na voz um grito,

Mal têm a própria voz;

E ignora-os o infinito

Que nos ignora a nós.



Autor: Fernando Pessoa

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 7




 


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