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Como uma voz de fonte que cessasse


Como uma voz de fonte que cessasse

(E uns para os outros nossos vãos olhares

Se admiraram), p'ra além dos meus palmares

De sonho, a voz que do meu tédio nasce



Parou... Apareceu já sem disfarce

De música longí­nqua, asas nos ares,

O mistério silente como os mares,

Quando morreu o vento e a calma pasce...



A paisagem longí­nqua só existe

Para haver nela um silêncio em descida

P'ra o mistério, silêncio a que a hora

assiste...



E, perto ou longe, grande lago mudo,

O mundo, o informe mundo onde há a vida...

E Deus, a Grande Ogiva ao fim de tudo...


Autor: Fernando Pessoa

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 20




 


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