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Amo Poesias › ANSEIO (Augusto dos Anjos)


  

ANSEIO


Quem sou eu, neste ergástulo das vidas
Danadamente, a soluçar de dor?!
-- Trilhões de células vencidas,
Nutrindo uma efeméride inferior.

Branda, entanto, a afagar tantas feridas,
A áurea mão taumatúrgica do Amor
Traça, nas minhas formas carcomidas,
A estrutura de um mundo superior!

Alta noite, esse mundo incoerente,
Essa elementaríssima semente
Do que hei de ser, tenta transpor o Ideal...

Grita em meu grito, alarga-se em meu hausto,
E, ai! como eu sinto no esqueleto exausto
Não poder dar-lhe vida material!


Autor: Augusto dos Anjos

Adicionado em 02/10/2009  |  Cliques: 143




 


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