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Ah, Quanta Vez, na Hora Suave


AH, quanta vez, na hora suave

Em que me esqueço,

Vejo passar um ví´o de ave

E me entristeço!



Por que é ligeiro, leve, certo

No ar de amavio?

Por que vai sob o céu aberto

Sem um desvio?



Por que ter asas simboliza

A liberdade

Que a vida nega e a alma precisa?

Sei que me invade



Um horror de me ter que cobre

Como uma cheia

Meu coração, e entorna sobre

Minh'alma alheia

Um desejo, não de ser ave,

Mas de poder

Ter não sei quê do ví´o suave

Dentro em meu ser.


Autor: Fernando Pessoa

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 12




 


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