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AH, Como Incerta, na Noite em Frente


AH, COMO INCERTA, na noite em frente,

De uma longí­nqua tasca vizinha

Uma ária antiga, subitamente,

Me faz saudade do que as não tinha.



A ária é antiga? í‰-o a guitarra.

Da ária mesma não sei, não sei.

Sinto a dor-sangue, não vejo a garra.

Não choro, e sinto que já chorei.



Qual o passado que me trouxeram?

Nem meu nem de outro, é só passado:

Todas as coisas que já morreram

A mim e a todos, no mundo andado.



í‰ o tempo, o tempo que leva a vida

Que chora e choro na noite triste.

í‰ a mágoa, a queixa mal definida

De quanto existe, só porque existe.


Autor: Fernando Pessoa

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 10




 


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