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Aconteceu-me do Alto do Infinito


Aconteceu-me do alto do infinito

Esta vida. Através de nevoeiros,

Do meu próprio ermo ser fumos primeiros,

Vim ganhando, e través estranhos ritos



De sombra e luz ocasional, e gritos

Vagos ao longe, e assomos passageiros

De saudade incógnita, luzeiros

De divino, este ser fosco e proscrito...



Caiu chuva em passados que fui eu.

Houve planí­cies de céu baixo e neve

Nalguma cousa de alma do que é meu.



Narrei-me í  sombra e não me achei sentido.

Hoje sei-me o deserto onde Deus teve

Outrora a sua capital de olvido...


Autor: Fernando Pessoa

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 13




 


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