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A volta da mulher morena


Meus amigos, meus irmãos, cegai os olhos da

mulher morena

Que os olhos da mulher morena estão me

envolvendo

E estão me despertando de noite.

Meus amigos, meus irmãos, cortai os lábios da

mulher morena

Eles são maduros e úmidos e inquietos

E sabem tirar a volúpia de todos os frios.

Meus amigos, meus irmãos, e vós que amais a

poesia da minha alma

Cortai os peitos da mulher morena

Que os peitos da mulher morena sufocam o meu

sono

E trazem cores tristes para os meus olhos.

Jovem camponesa que me namoras quando eu passo

nas tardes

Traze-me para o contato casto de tuas vestes

Salva-me dos braços da mulher morena

Eles são lassos, ficam estendidos imóveis ao

longo de mim

São como raí­zes recendendo resina fresca

São como dois silêncios que me paralisam.

Aventureira do Rio da Vida, compra o meu corpo

da mulher morena

Livra-me do seu ventre como a campina matinal

Livra-me do seu dorso como a água escorrendo

fria.

Branca avozinha dos caminhos, reza para ir

embora a mulher morena

Reza para murcharem as pernas da mulher morena

Reza para a velhice roer dentro da mulher

morena

Que a mulher morena está encurvando os meus

ombros

E está trazendo tosse má para o meu peito.

Meus amigos, meus irmãos, e vós todos que

guardais ainda meus [últimos cantos

Dai morte cruel í  mulher morena!


Autor: Vinícius de Moraes

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 18




 


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