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Amo Poesias › A Morte Absoluta (Manuel Bandeira)


  

A Morte Absoluta


Morrer
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A enxague máscara de cera,
Cercado de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte

Morrer sem deixar por ventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um soluço, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda,
-Sem deixar sequer esse nome.


Autor: Manuel Bandeira

Adicionado em 24/10/2008  |  Cliques: 143




 


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